Em sua quarta edição, o Colóquio Musealização da Arte envolveu pesquisas acerca do museu mediador como educador. O tema O museu em verso, reverso, contraverso: curadoria, formação e mediação foi abordado a partir de poéticas de existência e de ausências, das curadorias educativas, da mediação cultural, da formação de professores e de profissionais de museus, da presença do público escolar, considerando a experiência com e do outro no sentido ético. A programação do evento contou com duas conferências, duas palestras e sete mesas com 31 comunicações. As questões trazidas pelos participantes, durante as apresentações e nas trocas proporcionadas pelos momentos de debate, explicitaram a compreensão do museu como um propagador da experiência poética, a partir de suas mediações. As análises compartilhadas nos três dias do colóquio nos convidaram a um olhar mais detido sobre as poéticas experimentais, insurgentes e transgressoras, sobretudo nos processos de formação dos sujeitos e em sua atuação na sociedade, ou nos hiatos provocados por suas práticas e seus silêncios. O colóquio permitiu a conexão de diferentes perspectivas, derivadas de uma multiplicidade de campos nas Artes, na Museologia e nas Ciências Sociais, que compuseram um panorama sobre a curadoria, a formação e a mediação cultural, considerando processos relativos à educação formal e não formal em ações culturais e educativas com públicos escolares e outros públicos, e na formação de professores e de profissionais de museus. As reflexões sobre o museu poeta consideraram seu papel educador, contemplando a educação nesse processo como uma prática livre, autônoma, divertida, reflexiva e dialógica, ou seja, como uma prática de liberdade, nos termos de bell hooks e Paulo Freire.
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Desse modo, as comunicações refletiram sobre a noção de um museu em verso, sobre a consciência da instituição e de seus tomadores de decisão acerca de seu potencial como criador e fomentador de discursos fluidos, de leituras abertas, de experiências artísticas que buscam mais o alumbramento que a compreensão. Admitir a esfera sensível nos diferentes processos museais — a aquisição, a documentação, a exposição, a mediação — abre campo para as narrativas, por vezes discordantes, em choque com noções canônicas, outrora inquestionáveis, como autoridade da autoria, originalidade, autenticidade, materialidade, cronologia. Portanto, os textos apresentados nesta publicação apresentam reflexões valiosas sobre os processos de musealização, considerando e problematizando a ideia de museu mediador a partir de experiências educativas.